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Caminho aberto: PSB libera Majeski para mudar de partido

Presidente estadual do PSB garante que, nesta quinta, entrega a Majeski o documento de liberação pedido por ele. Para disputar Prefeitura de Vitória, deputado está com um pé e meio na Rede

Publicado em 19 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

19 mar 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Casagrande dá "tchau e bênção" a Majeski para ele poder sair do PSB Crédito: Amarildo
O presidente do PSB no Estado, Alberto Gavini, assegurou à coluna: o deputado estadual Sergio Majeski já pode ser considerado tecnicamente liberado pelo PSB para se desfiliar do partido, sem nenhum impedimento. O pedido de liberação foi feito por Majeski ao comando local na última segunda-feira. Gavini garante que o deputado terá o que pediu:
“Daremos a liberação para o Majeski. Ele tem muito caminho pela frente para fazer política e buscar os sonhos dele. Não criaremos nenhum impedimento para ele. Se ele deseja ser prefeito de Vitória e o PSB não lhe dá condições para isso, ele poderá buscar o desejo dele e o sonho dele. Da nossa parte, ele não terá nenhum impedimento. E as portas do PSB seguirão abertas para ele.”
Ou seja: passe livre para Majeski  se desfiliar sem correr o risco de perder o mandato de deputado estadual por infidelidade partidária. Tanto que, para agilizar o processo, dada a urgência do deputado nessa definição, o presidente estadual do PSB já entregará a Majeski nesta quinta-feira (19) a resposta ao ofício do deputado.
Trata-se do documento oficial, assinado pela direção estadual do PSB, informando, para efeitos legais, que libera a desfiliação de Majeski e que o partido não reclamará o mandato do deputado à Justiça Eleitoral. Será um supertrunfo legal para Majeski resolver a sua vida partidária e eleitoral. De posse desse documento, ele deve provocar o TRE, solicitando autorização para trocar de agremiação sem ter cassado o mandato de deputado.
“É a fundamentação que vou usar junto à Justiça e ao MP Eleitoral, mostrando que não há interesse do partido de que eu continue lá. Se há um acordo entre o deputado e o partido, por que a Justiça vai se opor? Só vou sair com a anuência da Justiça, a partir do aval da Justiça de reconhecer que está tudo certo”, enfatiza Majeski.
A pressa e a cautela se justificam.
Como o próprio deputado confirma, ele decidiu sair do PSB para se filiar a outra sigla a tempo de poder viabilizar candidatura a prefeito de Vitória nas eleições deste ano. O tempo é exíguo. Para poder participar dessa disputa, Majeski precisa receber o ok do PSB (já assegurado) e também o da Justiça Eleitoral, e estar com ficha de filiação assinada até o dia 4 de abril em seu novo partido – muito provavelmente, a Rede Sustentabilidade.
Para garantir o primeiro passo, Majeski reuniu-se, na segunda-feira (16), com os presidentes do PSB na esfera municipal, Juarez Vieira, e estadual, Alberto Gavini. Na manhã do dia seguinte, veio a conversa mais importante: no Palácio Anchieta, com o próprio Casagrande, que na prática é quem de fato comanda o PSB no Espírito Santo. Os dois se falaram a sós.
Majeski expôs o seu pedido de liberação a Casagrande, que não apresentou nenhum obstáculo. Ao contrário. O governador disse ao deputado que seu pedido de desfiliação é legítimo e é um direito dele. Da parte de Casagrande, não haverá nenhum óbice. Na hora da despedida, acrescentou que Majeski considere a possibilidade de permanecer no partido, caso não consiga concretizar a operação de troca de siglas em tempo hábil para ser candidato em Vitória. Uma conversa cortês que, na prática, significou sinal verde para a liberação de Majeski.
Na verdade, Casagrande só reiterou a Majeski todos os sinais que já vinha dando para o próprio deputado e para a imprensa desde o ano passado. No fim de 2019, em um diálogo que inicialmente não tinha nada a ver com as eleições municipais, o próprio governador tomou a iniciativa de dizer a Majeski que, na sua opinião, se o PSB não lhe desse a legenda para ele se candidatar em Vitória, o deputado deveria ser liberado sem problemas para procurar outro partido.
Reservadamente, uma fonte palaciana já havia reiterado à coluna que o governador (portanto, o PSB) tinha com Majeski o compromisso informal de não reclamar o seu mandato parlamentar à Justiça Eleitoral caso ele decidisse sair.
No início de fevereiro, em entrevista no Palácio Anchieta, 13 dias antes da prévia do PSB de Vitória, o próprio Casagrande reiterou sua posição favorável à liberação de Majeski, dando um recado claramente endereçado ao deputado: quem perdesse a prévia na Capital poderia se sentir livre para procurar outra legenda.
“Agora saio para tentar viabilizar a minha candidatura a prefeito de Vitória. Isso se eu encontrar um partido que tenha o mesmo projeto que eu”, disse o deputado à coluna, nesta quarta-feira (18).

A UM PASSO DA REDE SUSTENTABILIDADE

Esse partido já existe, já estendeu tapete vermelho para o ingresso de Majeski e tem profunda afinidade política e programática com o deputado. É a Rede Sustentabilidade, conforme ele mesmo confirma: “Tenho uma simpatia muito grande pela Rede. Mas não cheguei a conversar com eles nesse nivel de profundidade, de estabelecermos condições para filiação e candidatura, até porque primeiro preciso obter o aval da Justiça”.
Assim, o caminho e a tendência naturais de Majeski são mesmo a filiação à Rede. Até por uma questão de eliminação. No momento, os outros convites na mesa do deputado são do Progressistas (PP), do Democratas (DEM) e do Partido Social Democrático (PSD). Ao contrário da Rede, os três são partidos situados do centro para a direita, com os quais Majeski (que já pertenceu ao PT) não tem a menor identidade.
No último sábado (14), o vereador Roberto Martins lançou a sua pré-candidatura a prefeito de Vitória pela Rede, partido ao qual acaba de se filiar. Mas reiterou nesta quarta-feira (18) algo que vem dizendo há tempos: se Majeski quiser entrar na Rede, renuncia na mesma hora à cabeça da chapa em favor do deputado e colega de profissão (ambos são professores).
Na manhã desta quarta, ambos se falaram por telefone e, segundo Martins, é muito forte a possibilidade Majeski ir mesmo para a Rede. “Ele me disse que tem grandes chances de ele vir para a Rede. Vai depender da Justiça Eleitoral. Havendo essa liberação por parte da Justiça, aí sim as coisas ficam definidas. Se isso se confirmar, aí a gente mantém o convite a ele, sim. E, nesse caso, estudarei se busco a reeleição na Câmara ou se me candidato a vice-prefeito com ele.”

FUNDO ELEITORAL, NEM PENSAR

Majeski não desceu a esse nível de detalhes com os representantes da Rede, mas antecipa à coluna: em sua campanha a prefeito, vai se recusar a utilizar recursos tanto do Fundo Partidário como do Fundo Eleitoral. Será que a Rede topa?!?

ERICK MUSSO: “OI, SUMIDO”

Entre os vários telefonemas recebidos por Majeski no decorrer desta quarta-feira, um chamou a atenção: o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos) – alvo frequente de críticas de Majeski –, ligou para ele para marcar uma bate-papo. Erick é aliadíssimo do deputado federal Amaro Neto (Republicanos), também cotado para disputar a Prefeitura de Vitória. Possivelmente, contra Majeski.

CHANCE ZERO DE IR PARA O PSDB

Há poucos meses, o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas – um dos principais parceiros de Majeski quando os dois eram do PSDB – chegou a iniciar conversas com o deputado, para que os dois retornassem ao partido visando ao lançamento de uma candidatura à Prefeitura da Capital. Majeski não quer nem ouvir falar da ideia: não topa estar em um partido atualmente presidido no Estado pelo deputado estadual Vandinho Leite. A incompatibilidade entre os dois é total.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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